quarta-feira, setembro 02, 2009

Gordo é a...

2:20AM

*Trim, Trim*
(ou *brlblrblrblr*, que é como hoje em dia tocam os telefones...)

- Alô? (Eu, assustadíssimo, porque o telefone, à essa hora da manhã, ou é engano, ou amigo bêbado ou notícia trágica...)

- Oi Gordo!
- Hmm? Alô?
- Oi Gordo, sou eu...
- Quem tá falando?
- Ai, desculpa... liguei errado.

*Tu-Tu-Tu...*

Além de ligar errado, me xinga de gordo...
Ía aproveitar que tava de pé e assaltar a geladeira, mas agora fiquei encanado.
Vou voltar à dormir.
Com fome.
Saco!

Aposto que vou sonhar com palmito ou azeitona.

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quinta-feira, setembro 18, 2008

Sobre um Colchão (embora não fisicamente)

Andava eu com um colchão nos braços.
Segundo as leis da "Randômica", os fatos aleatórios propensos a acontecer em qualquer dia são absolutamente impensáveis e desprovidos de maiores explicações. Aceitemos, assim, as coisas como elas são e tiremos proveito delas para ao menos sorrir.

Levando isso em consideração, andava eu com um colchão nos braços.
Estava em um bairro residencial, cheio de casinhas, algumas simples e outras um tanto mais elaboradas. Há até mesmo um cortiço nesta mesma rua, logo de frente à padaria que vende sanduíche de pernil aos sábados. Vizinho à padaria, há o mecânico que me ajudou quando cheguei na cidade com um parafuso quebrado na bandeja de sustentação da roda dianteira esquerda do meu carro.

Assim, andava eu com um colchão nos braços.
Na rua de baixo, pelo dia ser quinta, instala-se a feirinha que exala o odor de pastel e caldo de cana característicos. Curiosamente, todas as quintas, passo ainda por uma outra feira que acontece no caminho que faço diariamente. Um segunda feira todas as quintas-feiras.

Mas o que importa é que andava eu com um colchão nos braços.
Uma amiga que está se casando nesta semana me pediu o colchão, para poder hospedar mais parentes em casa. Embora diga o ditado que "quem casa, quer casa", quem precisa de casa nesse casório são os parentes. A noiva, no caso, embora casando, estava com problemas para passar adiante a casa antiga, mas esqueci de perguntá-la se isto já está resolvido. O caso da casa que sobrou no casório. Curiosamente, a casa, no caso, é um apartamento.

Voltando ao assunto: Andava eu com um colchão nos braços.
Não deve ser um visão muito comum. É algo que naturalmente chama a atenção dos transeuntes. Todo o meu trajeto com o colchão não é maior que o de duas quadras, mas, por ser dia de feira, quinta, haviam mais pessoas pela rua do quem em qualquer dos outros dias da semana. Também pelo dia ser de feira seria a razão pela qual estaria aquela senhora pedinte por ali, quando lhe cruzei o caminho e, obviamente, lhe chamei a atenção.

- Dá pra mim esse colchão? - disse ela.

Embora ela provavelmente precisasse do colchão mais do que eu e do que os parentes de minha amiga noiva, eu não poderia dar-lhe por 3 razões:
1) Havia prometido emprestar o colchão.
2) O colchão nem é meu, mas de minha avó, que me emprestou o dito cujo quando vim para a cidade, uma vez que a cama que hoje uso era ocupada por outra pessoa àquela época.
3) Eu não queria dar o meu colchão (da minha avó) pra ela.

A razão n.1 era um tanto elaborada e me deu preguiça de explicar. A razão n.3 era mesquinha demais e qualquer pessoa com um mínimo de vergonha, jamais diria isto à tão necessitada velhinha. A razão n.2, portanto, me pareceu um bocado apropriada para a ocasião, e nem precisaria mentir, o que é sempre louvável.

Toda esta reflexão levou aproximadamente 3 segundos, que foi o tempo que levei para responder-lhe:

- O colchão não é meu. Não posso lhe dar o que não é meu.

E ela me responde, com o sorriso mais honesto que a sua boca sem dentes (ou quase) poderia me dar:
- Claro que pode... O tempo todo, as pessoas me dão o que não é seu. Hoje mesmo me deram uma banana, que não era sua, ali na feira.

O meu tropeço na calçada foi apenas uma expressão física do tropeço no meu raciocínio. Estaria eu às voltas com um enigma digno de Malba Tahan? Ou uma pegadinha de programa de auditório? Ou ainda uma questão capaz de corromper o próprio tecido do espaço-tempo contínuo? Seria a velhinha a personificação humana do acelerador de partículas LHC?

Ao pensar brevemente sobre o assunto, percebi que a filosofia semântica das sábias palavras curiosas da velhinha. Pondo em cheque o meu direito de propriedade e poder de decisão sobre o futuro do colchão, a pobre senhora levantou uma outra questão: A questão entre a ética e a honra.

Ético seria dar o colchão à velhinha enquanto honrado seria eu cumprir a minha palavra e emprestar o colchão à minha amiga.

Infelizmente as obrigações da vida fazem com que passemos por cima das questões mais importantes acerca dos mistérios do mundo. Já era tarde e eu não poderia me atrasar para o trabalho, inclusive porque no dia anterior eu havia sido advertido sobre atrasos. Sendo assim, na obrigação de lidar com a situação o mais rápido o possível, fiz o que me pareceu mais funcional naquele momento: Apenas sorri para a velhinha e dei de ombros, como quem dissesse "pode até ser, mas esse colchão você não leva".

A velhinha não me achou digno nem mesmo de uma expressão facial como resposta. Virou as costas e seguiu o seu caminho. Da mesma forma segui eu o meu, sem jamais saber com que tipo de mente brilhante eu poderia ter travado um diálogo inesquecível.

Logo adiante virei a esquina e segui pela calçada, onde andava eu com um colchão nos braços.

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segunda-feira, setembro 15, 2008

Sincronicidade Ascensorial em Chuva Média

Gostaria de poder contar uma história inacreditável sem fazê-la parecer... bem...
inacreditável...

É um relato real, mas que jamais poderá ser provado. Algo que soa ridiculamente improvável Um acontecimento que não é grandioso, tampouco significativo. Um fato sem conseqüências consideráveis, plenamente hermético, cuja importância se encerra no própria duração do ocorrido.

Um causo sem essência ou significância, mas cuja característica inusitada faz dele algo absolutamente peculiar, embora inexista explicação para tamanho paralelismo.

É certo que as lendas possuem em sua essência a dualidade da realidade e da ficção. Deixa-se de ser importante, assim, a factualidade do caso, e leva-se em conta a tal "moral da história".

Moral esta que esqueceu de se apresentar no descrito abaixo.

O detalhismo talvez seja a única forma de buscar um mínimo de veracidade para uma coincidência tão absurda de eventos.

Descrevo, portanto, o praticamente intangível caso da "Sincronicidade Ascensorial em Chuva Média".
Chovia quando toquei o interfone. Uma chuva constante, nem garoa, nem tempestade. Era uma chuva normal. Passava das 23h do sábado quando me disseram que eu podia subir. O elevador era no segundo bloco, e precisei me molhar um pouco mais antes de entrar no saguão do edifício. Apertei o botão do elevador, mas ele já estava descendo. Quando o ouvi chegar resolvi esperar alguns segundos antes de puxar a porta. Tenho sempre o receio de que pode haver um passageiro com pressa, que poderia abrir a porta com uma força suficiente para me machucar. Devo ter esperado pouco mais que dois segundos quando resolvi abrir eu mesmo, presumindo que estava vazio.

Nos sobressaltamos os dois. A moça estava quase tocando a porta quando a abri. Ela deu um pequeno pulo, e eu disse o que sempre acabo dizendo: "Opa!"

Houve aquele sorriso constrangedor, envergonhado, de ambas as partes. Creio que, assim como eu, ela também tenha rapidamente desviado o olhar (não pude ver, pois eu já olhava para meus tênis molhados) e tão logo pudemos, recobramos a compostura e retomamos nossas direções. Eu adentro, ela afora.

Apertei o 15º e pude ouvir, junto com a porta se fechando, o toc-toc dos saltos dos sapatos dela, que se tornaram plosh-plosh tão logo ela pisou fora do edifício.

É formidável o número de pensamentos que ocorrem durante um trajeto de 15 andares. Enquanto eu olhava no espelho da parede do fundo do elevador cutucando um cravo crônico na maçã direita do meu rosto, pensei no quanto era curioso o fato de eu estar fazendo uma visita informal à uma amiga, depois de trabalhar durante todo o sábado, vestindo tênis, jeans, camiseta e casaco de zíper, todos um bocado molhados, num fim de noite de sábado, enquanto a moça saía para passear num vestido preto elegante, com sapatos de salto da mesma cor.

Presumo que ela tenha ído de taxi ou carona, pois se fosse dirigindo teria certamente descido em outro andar. Não acho que tenha ído à pé também, pois a chuva inibiria uma caminhada até mesmo ao barzinho mais próximo, que fica à umas 3 ou 4 quadras dali. Sem contar o fato de que mulher alguma se dá ao luxo de molhar os cabelos antes de chegar ao destino, como bem prova o economicamente ativo comércio das chapinhas.

Fui interrompido de meus pensamentos pelo baque da chegada do elevador ao 15º andar. Desisti também do cravo.

A visita não foi muito breve. Houveram ois, sorrisos, risadas, sobrancelhas erguidas e algumas cerradas, que horas depois foram sucedidos por bocejos e piscadelas mais longas. Já era por volta das 3 da manhã de domingo quando vieram os tchaus e os até mais.

Apertei o botão do elevador, trocamos mais alguns comentários conclusivos no hall e quando o ouvi chegar, aguardei os mesmos aproximadamente dois segundos antes de abrir a porta. Na ausência de qualquer movimento atrás da porta, a abri e dei com um rapaz lá dentro. Nada demais, era apenas o mesmo rapaz com o cravo crônico de antes: eu mesmo no espelho.

Aperto o térreo e desta vez apenas encosto de costas no espelho. Nada de cutucar meu rosto. Já estava tarde e passei todos os 15 andares pensando na chuva e no quando eu ainda teria que andar sob ela até chegar em casa naquela noite.

Quinze andares depois, sinto o baque da chegada.

Da mesma forma que costumo esperar alguns segundos para adentrar o elevador, costumo fazer o mesmo ao sair dele. Penso que alguém possa estar com a mão na maçaneta, ansioso para entrar no elevador, mas que num momento de distração poderia se machucar quando eu empurrasse a porta.

Passados os segundos costumeiros, abro a porta e mais uma vez meu primeiro instinto é o de dizer o absolutamente desnecessário: "Opa!"

A mesma mulher se sobressalta da mesma forma quando eu abro a porta. Algo como um evento que é primo distante do déjávu.

Mais uma vez houveram sorrisos constrangedores, envergonhados, de ambas as partes. Creio que novamente, assim como eu, ela também tenha rapidamente desviado o olhar para seus sapatos de salto molhados.

Pude perceber que embora voltasse sozinha, ela se cobria com um casaco bege masculino. Provavelmente emprestado por algum homem preocupado (talvez mal ou bem intencionado), que protegia-lhe o vestido, mas não o cabelo, já um tanto revoltado.

A porta ainda se fechava quando impulsivamente me percebo dizendo em voz alta: "De novo?". E antes dela se fechar completamente pude ouvir uma risada curta, reconhecendo a ironia neste inútil acidente.

E tão logo pudemos, recobramos a compostura e retomamos nossas direções. Eu afora, ela adentro.

Embora a chuva tivesse aumentado, eu tinha um sorriso inexplicável no rosto. Tão inexplicável quanto a sincronicidade ascensorial em uma noite de chuva média.

Realmente me pergunto se estamos mesmo sozinhos.

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segunda-feira, agosto 25, 2008

A Estática Estética Aureolar da Manequin

Creio ser uma coisa dos novos tempos. Provavelmente é um problema apenas para os mais puritanos, que já não têm bem um lugar em um mundo despudorado. Ainda assim me surpreendeu por alguns segundos, antes de eu perceber que no fundo, tudo faz sentido.

Pensei comigo:
Por que ali, naquela vitrine, aquele manequin feminino tem auréolas nos seios? Mais do que os bicos bem delineados, esculpidos delicadamente, ela tem as auréolas de um tom levemente mais escuro que o resto do seu corpo. O rosto é desprovido de olhos, boca e demais orifícios, e não seria estranho se até a cabeça lhe faltasse. Tudo bem, não há a fenda na virilha, mas também não há cabelo e faltam-lhes os dedos das mãos e dos pés.

Mas por que tamanha preocupação então, com estes seios que estou vendo hoje?

Bastaram alguns segundos para que a resposta se desfraldasse com tamanha eloqüência que me fez sorrir sozinho, no meio da rua.

Não chego a dizer que foi por esse motivo que houve tamanho cuidado com esta parte especial do desenho da manequin, mas me parece ser uma razão suficientemente concreta para justificar este nível de detalhamento.

Elementar.
A resposta está no fim da pergunta.
Hoje, diferente de outrora, a transparência de uma blusa é opcional. Pode inclusive ser o diferencial de uma peça. No despudorado admirável mundo novo, há aquelas (e não apenas poucas) que se sentem mais do que confortáveis em exibir seus mamilos, para a alegria de homens que já não se contentam com seios à mostra publicamente apenas às vesperas das Quartas-Feiras de Cinzas.

Hoje, portanto, manequins despudoradas exibem publicamente seus mamilos graciosos à moças despudoradas que gostariam de exibir publicamente seus próprios mamilos aos homens despudorados que possuem pouco sangue para oxigenar igualmente o corpo todo.

Pobres das manequins que, imóveis e caladas, têm seu corpo prostituído publicamente, sem nenhuma ONG para defendê-las.

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terça-feira, abril 18, 2006

Barbárie Global

Domingo à noite é hora da deprê.
Principalmente pra quem vê o Fantástico até o fim.

Tem a aparição da Glória Maria (vestida de Redentor, como sempre), desejando para todos uma semana Bárbara!

Vai se fu***, dona Maria!

Vai que ela acerta e durante a semana começa a aparecer homem peludo com capacete de corno e espada na mão; todos vestidos de tapete de banheiro e cortando cabeça por aí.

Já não basta ser segunda, ainda tem que aturar essa Glória, Glória, Aleluia desejando a Idade Média de volta.

Vai fumar orégano pra lá, macumbeira.

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quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Planta Também é Gente

Um casal de velhinhos japoneses me surpreendeu hoje.
Estavam abraçando árvores na frente de uma lanchonete.
Coisa oriental, acredito eu.

O curioso é que a comida da lanchonete até que é bem saudável.
Talvez haja algum sentido misterioso nisso. Também oriental, provavelmente.

E apesar de todos estes sinais, a única coisa que passou pela minha cabeça na hora foi:
"Estas árvores estão de acordo com esta demonstração pública de afeto? Esta obscenidade não seria uma forma dos velhinhos se aproveitarem das indefesas árvores?"

Alguém precisa fazer algo contra os abusos cometidos contra a natureza.
Amar o verde é uma coisa, mas é preciso limites.

Quer demonstrar amor às plantinhas?
Vá se filiar ao PV, oras...

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terça-feira, fevereiro 07, 2006

Era da Desinformação II

Semana passada, acho que o Jornal Hoje causou uma demissão.
Uma pobre doméstica, inocente, deve ter perdido o emprego. Quase certeza.

Investigavam um laboratório de remédios ilegal.
O lugar onde deveria funcionar a empresa tava abandonado. Foram até a casa do dono. Só a diarista em casa. Câmera escondida. Papo vai. Papo vem. A mulher entrega o jogo.

"É sim... Tá cheio de caixa aqui... Remédio... De vez em quando um caminhão passa aqui pra pegar ou deixar mais."

Se tivessem colocado a câmera na cara dela e falado: "É pra Globo! Reportagem de laboratório ilegal. Conta mais aí do teu patrão", duvido que ela tivesse aberto o bico.

Mas não... Imagina... O repórter foi atrás da verdade. Nua e crua. Doa a quem doer. Doeu sim... No bolso dela, que deve bancar o marido desempregado, a irmã, o cunhado e os 7 filhos no barraco onde mora de favor, com o dinheiro que ganha fazendo faxina na casa do safado do patrão dela.

Trabalho honesto.
Diferente do repórter, que pra mim, é tão sujo quanto o bandido que vende remédio ilegal.

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quinta-feira, novembro 24, 2005

Rinite Carnívora

Minha rinite tá me devorando.
Toda vez que eu espirro, coisa que acontece de 10 em 10 minutos (ou 10 em 10 segundos nas crises) eu mordo um pedaço do lábio, língua ou bochecha.

E dói!

Será que isso só acontece comigo ou todo mundo que espirra muito vive comendo a própria boca?

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